marybits
Via olheosmuros

O que se lê por aí: “Nunca vi teus olhos brilharem por mulher nenhuma tanto quanto pela Lua”.

Via http://nemfroid.blogspot.com.br/

Jet lag

Nesses dias em que o corpo sofre assédio do quê, não tem médico nem remédio. Você é estranha, estrangeira da sua geografia tão bem conhecida.

Estruturada em complexas vias neurais, a cabeça é reduzida a um ponto só, sem entrada e saída, nó. As informações que transitam por ele são dezenas de idiomas, que estafam-no, restando um pedaço pouco, oco.

Mãos ansiosas suam, como se a vida não fosse sua. Temem, tremem e se expressam com a propriedade de quem sabe bem o poder da frase “a decisão está nas suas mãos”.

E os dedos, desenhados para segurar (inclusive a queda), deixam de pulsar sangue caliente, acalentador. Até que se tornam mornos e sem vida, tão congelados quanto um lugar inabitável.

Tamanho peso imensurável deixa as pernas descontroladas, querendo fugir do quê? Coitadas, mal aparam o cansaço da tonelada de massa que parecem carregar.

O coração? Melhor sumir do mapa.

Do avião, as visões do trem

O que se ouve por aí: ”Todos sanos? Pero enteros…”

O que se ouve por aí: “Não dá pra contar tudo aos amigos. Tem coisa que a gente não conta nem pra si mesmo”.